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Governança corporativa na empresa familiar: o guia para a empresa média

Governança não é burocracia de companhia aberta. Na empresa familiar de porte médio, é o sistema que define quem decide o quê, com qual informação e em qual mesa, para que família, sociedade e gestão parem de disputar o mesmo almoço de domingo. Este guia mostra as instâncias, os documentos e o roteiro para instalar esse sistema no ritmo que a empresa aguenta.

Por Guilherme Walter 31 de outubro de 2026 16 min de leitura

A governança corporativa na empresa familiar começa muito antes de qualquer conselho. Ela existe, de forma tácita, desde o primeiro dia: alguém decide, alguém executa, alguém fica sabendo depois. A empresa cresce e esse sistema implícito continua do mesmo tamanho, até o primeiro evento grande: um herdeiro entrando na operação, uma divergência sobre dividendo, um pedido de crédito maior, uma proposta de compra. Este guia é para o sócio ou diretor de empresa média que quer trocar o acordo tácito por um sistema explícito, sem transformar a empresa numa repartição.

O que é governança corporativa na empresa familiar (e o que ela não é)

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), no Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, hoje na 6ª edição, publicada em 2023, define governança como o sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas. A definição não fala de tamanho, e sim de duas funções, dirigir e monitorar, que na empresa familiar média costumam estar na mesma pessoa: o fundador ou o sócio principal, que decide, executa e fiscaliza a si mesmo.

Governança, nesse porte, é a separação mínima entre essas funções: quem decide o quê, com qual alçada, em qual mesa, com qual informação, como a decisão é registrada e como é cobrada depois. O código organiza a prática em cinco princípios: integridade, transparência, equidade, responsabilização (a accountability) e sustentabilidade. Na empresa familiar, eles viram perguntas diretas. Os sócios recebem a mesma informação, no mesmo momento? O herdeiro que trabalha na empresa e o que não trabalha seguem regras conhecidas? Quem administra presta contas a alguém, com números que resistem a uma segunda leitura?

Governança não é copiar o estatuto de uma companhia aberta, com comitês e regimentos que ninguém cumpre. Não é tirar o fundador da frente: o debate sobre o modo fundador mostrou que delegar sem método é abdicar. E não é um projeto jurídico. O advogado redige documentos essenciais, mas a governança que funciona é a que muda a forma como a empresa decide na segunda-feira de manhã.

Por que a governança corporativa importa na empresa média

Decisão melhor e mais rápida

A empresa média é construída em torno da velocidade de decisão do dono, até que essa velocidade vira gargalo: toda decisão relevante volta para a mesma mesa, a segunda linha deixa de propor e o sócio vira refém da própria agenda. Com alçadas escritas, a diretoria resolve o que é dela, os sócios decidem o que é de capital e o conselho ajuda a pensar o futuro. O sócio decide menos coisas, e decide melhor as que importam.

Conflito entre sócios tratado antes de virar ruptura

Os conflitos societários mais caros raramente nascem de má-fé. Nascem de regras nunca escritas: quanto distribuir e quanto reinvestir, quem pode entrar na operação, o que acontece se um sócio sair, falecer ou se divorciar. Quando a regra existe antes do caso, discute-se a regra. Quando não existe, discutem-se pessoas, e o conflito contamina família e operação ao mesmo tempo.

Crédito e relação com bancos

Quem empresta lê risco. Demonstrações confiáveis, sócios alinhados sobre quem assina e quem garante, sucessão endereçada e um rito visível de decisão reduzem a incerteza do outro lado da mesa. Não existe tabela que converta governança em taxa, mas a diferença costuma aparecer em garantias, limites e prazos, sobretudo num ciclo de juros altos, em que a solvência passou a ser cobrada.

Valor da empresa

Na venda, na entrada de investidor ou na sucessão, quem chega compra um sistema, não uma pessoa. A due diligence olha primeiro para acordo de sócios, rito de conselho e DRE gerencial. Quando os três estão frouxos, o desconto aparece no múltiplo, como mostramos na análise sobre a empresa média subcontratada em governança.

Os três círculos e as instâncias da governança familiar

O modelo mais usado para entender a empresa familiar é o dos três círculos, de Renato Tagiuri e John Davis, da Harvard Business School: a empresa como sobreposição de família, propriedade e gestão. O fundador costuma estar nos três; o filho que trabalha na empresa sem ter quotas, em dois; o primo que herdou participação e nunca trabalhou lá, em outros dois. Cada posição tem interesses legítimos e diferentes, e boa parte dos conflitos nasce de discutir assunto de um círculo na mesa de outro. A resposta é dar a cada círculo o seu fórum, como desenvolve a Perspectiva sobre família, sociedade e gestão.

Reunião ou assembleia de sócios

É o fórum da propriedade: dividendos e reinvestimento, entrada e saída de sócios, aumento de capital, venda de ativos relevantes, endividamento acima de um limite, eleição dos administradores e aprovação das contas. Na sociedade limitada, o Código Civil (art. 1.078) exige que os sócios deliberem ao menos uma vez por ano, nos quatro meses seguintes ao fim do exercício, sobre as contas dos administradores e o balanço. Muitas empresas cumprem isso só no papel. Transformar a obrigação em reunião de verdade, com números e pauta, já é um salto de governança.

Conselho de família

É o fórum da família, sem voto sobre operação nem sobre dividendo. Discute valores, pertencimento, critérios para familiares trabalharem na empresa, preparação dos herdeiros para o papel de sócio e comunicação entre ramos e gerações. Faz sentido quando há mais de um núcleo familiar ou quando a próxima geração se aproxima da idade de decidir se entra no negócio.

Conselho consultivo ou de administração

É a ponte entre propriedade e gestão. Recebe dos sócios a orientação sobre o que se espera da empresa e acompanha a diretoria em nome deles: estratégia, orçamento, riscos, pessoas-chave e sucessão do executivo principal.

Diretoria

É o fórum da gestão. Executa a estratégia dentro das alçadas aprovadas e presta contas ao conselho ou, onde ele ainda não existe, à reunião de sócios. Ali, posição depende de competência, não de sobrenome: o familiar que é diretor responde como diretor.

Nem toda empresa precisa das quatro instâncias desde o início. Toda empresa precisa saber, para cada tipo de assunto, em qual delas ele será decidido.

Conselho consultivo: quando criar, quem chamar e como fazê-lo funcionar

Na maior parte das empresas médias, o conselho consultivo é a primeira instância com voz externa. Ele resolve três problemas de uma vez: a solidão estratégica do sócio, a falta de uma mesa recorrente de decisão e a preparação antecipada para sucessão e M&A. A tese completa está em conselho consultivo não é acessório; aqui ficam os critérios de desenho.

Consultivo ou de administração

O conselho de administração é órgão deliberativo previsto na Lei 6.404/1976, obrigatório nas companhias abertas e nas de capital autorizado (art. 138, § 2º), e seus membros são administradores, com deveres legais de diligência e lealdade. O consultivo recomenda e não delibera; por isso não carrega, em princípio, os deveres de administrador, proteção que se perde se ele passar a decidir no lugar da diretoria. A fronteira deve estar no regimento, conferida por advogado societário. Para a maioria das limitadas familiares, o consultivo é a porta de entrada certa. A migração para conselho de administração faz sentido quando há sócios fora da gestão que precisam de fiscalização com poder real, quando entra um investidor ou quando se aproxima um evento de capital.

Quando criar

Não há porte mínimo. Há sinais: decisões grandes que antes eram confortáveis passaram a pesar (ampliar a planta, trocar de banco, comprar um concorrente, contratar o primeiro diretor de fora); sócios que discordam com frequência e não têm mesa neutra; sucessão no horizonte dos próximos cinco a dez anos; proposta de compra rondando ou intenção de buscar investidor. Quando dois desses sinais aparecem juntos, o conselho deixou de ser antecipação e passou a ser atraso.

Composição e conselheiros independentes

Na empresa média, três a cinco cadeiras costumam bastar, em geral combinando representantes dos sócios com conselheiros externos. Independente é quem não tem vínculo de família, de emprego ou de negócio com a empresa e com os controladores, e por isso pode discordar sem custo pessoal. Quem presta serviço relevante à empresa, como o escritório contábil, o advogado ou a consultoria, pode ocupar cadeira e contribuir muito, desde que a mesa saiba que essa cadeira não é independente. O amigo de longa data do fundador raramente é independente na prática.

Escolha e avaliação dos conselheiros

O erro mais frequente é escolher conselheiro por afinidade. A afinidade importa, porque mesa sem confiança não discute com franqueza, mas é condição, não critério. A pesquisa anual da PwC com conselheiros de companhias abertas dos Estados Unidos mostrou esse viés até nos conselhos mais estruturados, como discutimos em afinidade ou competência na escolha de um conselheiro. O caminho é partir da estratégia: quais decisões a empresa vai enfrentar nos próximos três anos e qual repertório falta para enfrentá-las. Expansão industrial pede quem já conduziu investimento de capital; venda ou aquisição, quem já esteve numa transação; profissionalização, quem já atravessou a saída de uma gestão centrada na família.

Uma vez por ano, o conselho avalia a si mesmo (a pauta foi a certa? o material chegou a tempo? as recomendações foram seguidas?) e cada conselheiro é avaliado pela contribuição. Mandatos curtos, de um ou dois anos, renováveis após a avaliação, fazem da troca de uma cadeira uma rotina, e não um julgamento.

Pauta e frequência

A cadência trimestral é a mais comum: quatro encontros por ano, com calendário fechado no ano anterior, e encontros mensais por um período quando há sucessão em curso ou M&A à vista. A pauta tem uma parte fixa (resultado contra o plano, caixa, riscos e recomendações pendentes) e uma parte temática que percorre o ano: fechamento do exercício e contas; estratégia e riscos; pessoas, cultura e sucessão; orçamento e plano do ano seguinte. A maior parte do tempo vai para o futuro, não para explicar o mês passado. É isso que separa conselho de reunião operacional.

Remuneração

Conselheiro externo é remunerado, de forma compatível com o porte da empresa e com a dedicação real: ler o material, participar das reuniões e atender consultas entre elas. O formato mais usado é um honorário fixo, mensal ou por reunião. Variável atrelado a resultado de curto prazo tende a enfraquecer a independência, porque coloca o conselheiro torcendo pelo número que deveria questionar. E conselho sem remuneração costuma sair caro: quem não é remunerado não se sente obrigado a preparar a reunião.

Acordo de sócios e protocolo familiar

São dois documentos diferentes, e confundi-los é uma das razões pelas quais tantos ficam na gaveta.

O acordo de sócios (de quotistas na limitada; de acionistas na sociedade anônima, previsto no art. 118 da Lei 6.404/1976) é um contrato com força jurídica que regula o capital: voto em matérias relevantes, quem pode vender participação e para quem, direito de preferência, direito de acompanhar a venda (tag along) e de obrigar a venda conjunta (drag along), saída voluntária, falecimento, incapacidade, divórcio, critério de avaliação das quotas, política de dividendos e solução de impasses. A pergunta que guia a redação: quais situações, se acontecerem amanhã sem regra, colocam a empresa em risco? Cada uma precisa de uma cláusula.

O protocolo familiar é um pacto da família sobre a sua relação com a empresa: valores, critérios para familiares trabalharem no negócio (formação, experiência fora, processo seletivo, remuneração de mercado), comunicação entre família e empresa, preparação dos herdeiros e funcionamento do conselho de família. Parte dele ganha força jurídica quando é incorporada ao acordo ou ao contrato social; a maior parte tem força moral, e é aí que está o seu valor: registra o que a família combinou quando ainda conseguia conversar com calma.

O protocolo nasce de conversas, não de modelo pronto, e costuma levar meses. O acordo deve ser revisto sempre que a estrutura muda: herdeiro entrando no capital, criação de holding, saída de um ramo da família. Nos dois casos, o desenho é de negócio e a redação final é de advogado societário. Acordo assinado sem discutir os cenários difíceis é um documento que ninguém conhece até o dia em que precisa dele.

Rito de reuniões, ata e prestação de contas

Instâncias e documentos não funcionam sem rito. É o rito que transforma governança em hábito, e é ele que o comprador, o banco e o sucessor reconhecem quando abrem a empresa.

O rito e a ata

Um rito bem desenhado tem cinco elementos: calendário anual fechado com antecedência; pauta definida por quem preside, com a diretoria, e com tempo para cada item; material enviado pelo menos uma semana antes, para que a reunião seja de discussão e não de apresentação; condução que dá a palavra a todos e protege a divergência; e ata. Na empresa que ainda não tem conselho, a mesma lógica vale para a reunião trimestral de sócios e diretoria, primeiro rito instalado no método de Direção Estratégica.

A ata é a memória institucional da empresa. Precisa registrar o que foi decidido ou recomendado, por quê, quem é o responsável, qual o prazo e qual a divergência, quando houve, e a reunião seguinte começa pelas pendências da anterior. Isso resolve um problema clássico da empresa familiar: a mesma discussão voltando a cada seis meses, porque ninguém lembra o que foi decidido nem por quê.

Prestação de contas e informação financeira confiável

Nenhuma instância é melhor do que a informação que chega a ela. Conselho que recebe números atrasados, que mudam de versão ou que não batem com o fiscal discute o número, e não a decisão. O mínimo é uma DRE gerencial por linha de negócio, fechada até o dia 10 do mês seguinte e comparada com o orçamento, um fluxo de caixa projetado e poucos indicadores lidos sempre da mesma forma. O guia de FP&A na pequena e média empresa detalha essa base.

Na empresa familiar, prestar contas inclui separar o que é da empresa do que é da família. Despesas pessoais lançadas na empresa, retiradas sem critério, contratos informais com empresas de parentes e imóveis da família usados sem aluguel distorcem o resultado e geram desconfiança entre sócios de dentro e de fora da gestão. Uma política escrita de pró-labore, distribuição de lucros e transações com partes relacionadas resolve boa parte disso. Com sócios fora da gestão, financiamento relevante ou evento de capital no horizonte, a auditoria independente passa a fazer sentido.

Governança como preparação para sucessão e M&A

Sucessão e venda são os eventos em que a falta de governança cobra mais caro, porque exigem decidir sobre família, propriedade e gestão ao mesmo tempo.

Na sucessão, a governança separa a sucessão da gestão (quem vai dirigir) da sucessão da propriedade (quem vai ser dono, e de quanto), que muitas famílias tratam como uma só. Dá ao processo um fórum neutro: o conselho é o lugar natural para definir o perfil do próximo executivo principal, acompanhar a preparação dos candidatos, familiares ou não, e conduzir a transição. E sustenta um processo que leva de cinco a dez anos sem que ele vire uma sequência de conversas adiadas. A holding patrimonial ajuda a organizar a sucessão da propriedade, mas não substitui regras: holding sem acordo de sócios apenas muda o lugar do conflito. O guia de sucessão em empresa familiar e a análise sobre o repertório do sucessor aprofundam esse caminho.

No M&A, a governança é parte do que está sendo vendido. O comprador paga mais por uma empresa que decide sem depender de uma pessoa, com acordo de sócios atualizado, atas recentes e números que resistem à diligência. Instalar tudo isso durante a negociação é possível, mas caro: o comprador percebe a pressa e embute o risco no preço. Por isso a preparação pré-M&A começa pela governança, e por isso a venda também é um caminho de sucessão a ser discutido no fórum certo, antes que alguém decida pela família. O guia de venda de empresa e M&A trata do processo completo.

Maturidade e roteiro de implantação da governança corporativa na empresa familiar

Governança se instala por camadas. Montar um conselho sofisticado sobre números em que ninguém confia produz uma estrutura bonita que não muda decisão. Uma leitura útil de maturidade tem quatro estágios.

  • Estágio 1, governança tácita. Decisões na cabeça do fundador, regras entre sócios combinadas de boca, informação financeira só contábil e atrasada. Funciona enquanto a empresa é pequena e a sociedade é simples.
  • Estágio 2, governança entre sócios. Reunião formal de sócios com calendário e ata, DRE gerencial confiável, alçadas escritas e acordo de sócios vigente. A empresa ainda decide entre os seus, mas com método.
  • Estágio 3, governança com voz externa. Conselho consultivo com regimento, conselheiros independentes, pauta anual e avaliação; conselho de família em operação quando há mais de uma geração no capital. A diretoria presta contas a uma mesa que questiona.
  • Estágio 4, governança institucional. Conselho com papel claro sobre estratégia, riscos e sucessão do executivo principal, protocolo familiar acordado, política de partes relacionadas, auditoria quando cabível e sucessão planejada com nomes. A empresa está pronta para um evento de capital, mesmo que não pretenda fazer nenhum.

Na nossa leitura, a maior parte das empresas médias consegue ir do primeiro ao terceiro estágio em um a dois anos, no ritmo que a operação aguenta, seguindo esta sequência:

  1. Diagnóstico. Mapear como a empresa decide hoje, quais documentos existem (contrato social, acordo, atas), onde estão os conflitos latentes e qual a qualidade da informação.
  2. Base de informação. Colocar a DRE gerencial e o fechamento mensal em ordem, pré-requisito de todas as instâncias.
  3. Reunião de sócios e alçadas. Instalar a reunião com calendário, pauta e ata, e escrever a matriz de decisão: o que é dos sócios, o que é da diretoria e o que exige aprovação prévia.
  4. Acordo de sócios. Elaborar ou revisar, discutindo os cenários difíceis antes da redação.
  5. Conselho consultivo. Definir escopo e regimento, desenhar o perfil das cadeiras a partir da estratégia, convidar os conselheiros e acompanhar os primeiros ciclos até o rito se sustentar.
  6. Família. Com mais de um núcleo familiar ou a próxima geração chegando, instalar o conselho de família e construir o protocolo.
  7. Avaliação e evolução. Ao fim de cada ano, avaliar conselho e rito, ajustar pauta e composição e decidir sobre o estágio seguinte.

A ordem muda com a urgência: proposta de compra na mesa antecipa o acordo de sócios; conflito aberto entre ramos da família pode exigir começar pelo conselho de família. O princípio não muda: cada camada precisa estar de pé antes que a seguinte dependa dela.

Erros comuns na governança da empresa familiar

Conselho de fachada. Cadeiras ocupadas por amigos, sem pauta, sem material prévio e sem ata. As decisões continuam sendo tomadas fora da mesa, agora com a aparência de terem passado por ela.

Burocracia importada. Comitês e regimentos de companhia aberta que a empresa não tem tamanho para sustentar. O rito morre no segundo ano, e a família conclui, errado, que governança não serve para ela.

Fundador que preside tudo e não ouve. Se toda divergência é recebida como deslealdade, os conselheiros aprendem a ficar calados, e a mesa perde a razão de existir.

Documento antes da conversa. Acordo ou protocolo redigido a partir de modelo, assinado sem discutir os cenários difíceis e esquecido até o dia do conflito.

Governança desligada da cultura. A mesa enxerga a empresa pelos números e pelo relato da diretoria, e quando a meta aperta é comum que a cultura organizacional ceda sem que a diretoria perceba. Conselho que nunca pergunta sobre pessoas governa uma empresa que talvez já não exista.

Começar tarde. Instalar governança no meio de uma due diligence, de uma disputa societária ou de uma sucessão forçada por problema de saúde é possível, mas é a forma mais cara de fazer.

Como a Atto atua em governança

A Atto Estratégias & Educação é uma consultoria empresarial fundada em 2019 em Caxias do Sul, que atende pequenas e médias empresas, com foco em indústrias, distribuidoras e empresas familiares. A frente de Governança & M&A é conduzida por Guilherme Walter e cobre o desenho do conselho consultivo ou de administração (escopo, regimento, calendário, pauta padrão e perfil dos conselheiros), o acordo de sócios e o protocolo familiar, com apoio jurídico parceiro na redação, e o plano de sucessão. A Atto acompanha os primeiros ciclos do conselho até o rito andar sem a consultoria na sala.

Todo trabalho começa pelo Diagnóstico de 90 dias, que lê como a empresa decide hoje, a qualidade da informação financeira e os pontos de conflito, e termina com uma recomendação de sequência. A partir dele, a empresa pode seguir com a Rotina mensal, que tem um formato dedicado ao acompanhamento do conselho, ou rodar o sistema por conta própria. O atendimento é presencial em Caxias do Sul e na Serra Gaúcha e remoto em todo o Brasil.

Referências

Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), 6ª edição, publicada em agosto de 2023, para a definição de governança e os cinco princípios (integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade). Modelo dos três círculos da empresa familiar, de Renato Tagiuri e John Davis, Bivalent Attributes of the Family Firm (Harvard Business School, 1982; republicado na Family Business Review em 1996). Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações): art. 138, § 2º, sobre a obrigatoriedade do conselho de administração nas companhias abertas e de capital autorizado; art. 239, sobre as sociedades de economia mista; art. 118, sobre o acordo de acionistas; e os deveres de diligência e lealdade dos administradores. Código Civil (Lei 10.406/2002), art. 1.078, sobre a deliberação anual dos sócios da sociedade limitada para tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o balanço. Pesquisa anual da PwC com conselheiros de companhias abertas dos Estados Unidos (edição de 2026), referida de forma qualitativa e detalhada na Perspectiva da Atto sobre escolha e avaliação de conselheiros.

Perguntas frequentes

O que é governança corporativa em empresa familiar?

É o conjunto de instâncias, regras e rotinas que define quem decide o quê na empresa, com qual informação, e como as decisões são registradas e cobradas. Na empresa familiar, ela separa três conversas que costumam se misturar: a da família, a dos sócios e a da gestão. Na prática, envolve reunião de sócios com ata, acordo de sócios, informação financeira confiável e, conforme a maturidade, conselho consultivo e conselho de família.

Qual a diferença entre conselho consultivo e conselho de administração?

O conselho de administração é um órgão deliberativo previsto na Lei das S.A., obrigatório em companhias abertas e de capital autorizado, e seus membros têm os deveres e as responsabilidades legais de administrador. O conselho consultivo recomenda, mas não decide: a decisão continua com os sócios e a diretoria. Para a maioria das empresas familiares de porte médio, o consultivo é a porta de entrada, porque permite instalar o rito e testar conselheiros antes de qualquer mudança societária.

Quando uma empresa familiar deve criar um conselho consultivo?

Não existe porte mínimo. Os sinais mais claros são decisões grandes que passaram a pesar sobre o sócio, divergências frequentes entre sócios sem uma mesa neutra, sucessão entrando no horizonte dos próximos cinco a dez anos e propostas de compra ou intenção de buscar investidor. Quando dois desses sinais aparecem juntos, o conselho já está atrasado. Antes de criá-lo, porém, a empresa precisa ter informação financeira confiável para alimentar a mesa.

Como é remunerado um conselheiro consultivo?

O formato mais comum é um honorário fixo, mensal ou por reunião, compatível com o porte da empresa e com a dedicação exigida, que inclui leitura do material, reuniões e consultas entre elas. Remuneração variável atrelada a resultado de curto prazo tende a reduzir a independência do conselheiro. O valor deve ser definido antes do convite e revisto a cada mandato. Conselho sem remuneração para os externos costuma ter pouca preparação e baixa continuidade.

Qual a diferença entre acordo de sócios e protocolo familiar?

O acordo de sócios é um contrato com força jurídica que regula o capital: voto, compra e venda de participações, direito de preferência, saída, falecimento, avaliação das quotas, dividendos e solução de impasses. O protocolo familiar é um pacto da família sobre a sua relação com a empresa: valores, critérios para familiares trabalharem no negócio, preparação de herdeiros e funcionamento do conselho de família. Parte do protocolo pode ser incorporada ao acordo, mas os dois têm funções diferentes.

Empresa limitada precisa ter conselho?

Não. A legislação societária só torna o conselho de administração obrigatório em sociedades anônimas abertas, de capital autorizado e de economia mista. A limitada pode, porém, criar um conselho consultivo por decisão dos sócios, com previsão no contrato social ou em regimento próprio, desenhado com apoio de advogado societário. O que a limitada já é obrigada a fazer é deliberar anualmente sobre as contas dos administradores e o balanço, nos quatro meses seguintes ao fim do exercício.

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Todo trabalho da Atto começa por um Diagnóstico de 90 dias: leitura dos números, conversa com os sócios e um plano com prioridade, dono e prazo. Atendimento presencial em Caxias do Sul e na Serra Gaúcha e remoto em todo o Brasil.